Conservação e pesquisa das abelhas sem ferrão do Brasil e da flora que as sustenta — um refúgio de mata onde cada árvore e cada ninho tem nome.
O Santuário nasceu na mesma terra que, por mais de trinta anos, foi o refúgio da nossa família na Serra de Itabaiana. Entre as árvores que vimos crescer, percebemos que não éramos os únicos a nos reencontrar ali: as abelhas sem ferrão também fizeram daquele pedaço de mata a sua casa.
Quando entendemos o tamanho da importância delas — e o tamanho da ameaça que sofrem — decidimos transformar o cuidado com a terra em cuidado com quem a poliniza. Resgatar enxames, plantar as árvores que as alimentam, registrar cada ninho com método, aprender e ensinar.
O Santuário Tekoha é esse compromisso: conservar, estudar e multiplicar as abelhas nativas brasileiras — e abrir esse conhecimento para quem quiser cuidar também.
Sem ferrão e mansas, as abelhas meliponíneas — uruçu, jandaíra, jataí, mandaçaia e tantas outras — polinizam boa parte da flora nativa da caatinga e da mata atlântica. Muitas plantas simplesmente não se reproduzem sem elas.
Fazem parte da alimentação e da cultura de povos indígenas e comunidades rurais há séculos, e produzem um mel medicinal, raro e delicado. Mas estão ameaçadas: o desmatamento, os agrotóxicos e o saque de ninhos silvestres reduzem suas populações ano após ano.
Proteger uma abelha dessas é proteger a floresta inteira que depende dela. Por isso a coordenada de um ninho silvestre, aqui, é sigilo de conservação.
Resgatamos enxames ameaçados e cuidamos das colônias em meliponário, com manejo responsável.
Plantamos e mapeamos as árvores nativas que dão néctar, pólen e resina ao longo do ano.
Registramos cada árvore e cada ninho num atlas vivo, com foto, GPS e ficha científica.
Compartilhamos o conhecimento com meliponicultores e com a comunidade, para o cuidado se multiplicar.
Nada disso seria possível sem o Prof. Dr. Rogério Marcos de Oliveira Alves. Muito do que praticamos aqui veio dele — pessoalmente, nos eventos de meliponicultura e nos seus livros, em especial o Sistema de produção para abelhas sem ferrão (INSECTA/UFBA).
A ficha de manejo, a leitura de uma colônia, o respeito ao tempo das floradas: são ensinamentos que ele passou adiante com generosidade. A ele, nosso reconhecimento e nossa gratidão.
Alves, R. M. O. et al. Sistema de produção para abelhas sem ferrão. Série Meliponicultura nº 03. INSECTA / UFBA, 2005.O mapa da biodiversidade do santuário — abelhas e flora, ponto a ponto.
As fichas das abelhas nativas e da flora melífera catalogadas.
Ferramenta para o meliponicultor cuidar das suas colmeias de abelha sem ferrão.
Livros, artigos e materiais que embasam o trabalho do santuário.
Área restrita da equipe — coleta de campo, catálogo e mapa de pesquisa.